Por que se diz com nojo que um escritor é exibicionista? Só molequinhos de skate podem se exibir? Escritores exibicionistas parecem não se achar demasiadamente bons para recorrer a truquinhos. É uma forma de humildade. “Vou impressionar você, porque não estou acima de querer impressionar você. Então se segura que lá vai uma frase bem barroca.” Não consigo deixar de achar que é preciso ter a humildade de não querer ser simples.




Depende muito.
Se o escritor é um nerdzinho pedante e sem inspiração, ele não pode ser exibido porque vai parecer um menino mimado e choroso querendo o colinho da vovó.
Se não vive só para escrever frases de efeito que mascarem sua total insignificância, ele pode se exibir à vontade.
É a diferença entre um karate-kid e um D’Artagnan.
“Escritores exibicionistas parecem não se achar demasiadamente bons para recorrer a truquinhos.”
??????
E isso quer dizer o quê, em português?
Olinto, só digo se você disser o que quer dizer o seu comentário no post anterior. Em português, ou qualquer língua. ;>)
Com prazer.
Quis dizer que cada língua tem seus próprios mecanismos específicos, que funcionam bem dentro dela e mal se enxertados em outras. É certo que o português tem as perguntas “o que/quem mais?” e “onde mais?”, mas “como mais?” é uma importação espúria de “how else?”. Friso que nessas perguntas “mais” não significa o mesmo que “else”. Esta última significa algo próximo a “outros”. “Who else?” é “que outras pessoas?”, etc, e “how else?” é “de que outra maneira?” Evidência de que “mais” e “else” não são semanticamente equivalentes é que “mais” aparece com outras perguntas, por exemplo, “quantos/quanto mais?”, que o inglês expressa com “how many/much more?”
Se você importa o “how else”, supostamente para aproximar o português ao dinamismo modular do inglês, terá um destes dois problemas: ou certas palavras portuguesas perderão sua razão de ser (por exemplo, “mais” deixa de *significar* “além de …”), ou terá que importar também outros módulos semânticos ingleses (em que se diria “perdeu o seu nariz” em lugar de “perdeu o nariz”), destruindo o objetivo de dinamizar o português.
Os esquimós não precisam de geladeiras, nem os brasileiros precisam encampar ritmos, modos alienígenas. Falar racionalmente obvia sintaxes turvas.
Ah, agora sim. Você tem razão, nos dois casos.
Eu já topei com essa frase final em algum lugar (“é preciso ter a humildade de não querer ser simples”), gosto dela, se por “simples” entendemos “simplista”.
[...] O primeiro é a “Tentativa de Definição de Arrogância”, de Alex Castro, e o segundo, o “Whoa, dude! Check out my erotema!”, o mais recente do Lord ASS. [...]
“Não consigo deixar de achar que é preciso ter a humildade de não querer ser simples.”
Não, Alexandre, por favor me peça qualquer coisa menos isso.
http://soaressilva.apostos.com/2010/02/12/amanha-desdigo/
Entendi agora, acho.
No aguardo.
É preciso ter a humildade de não querer ser simples é algo que eu escreveria. Boa.