Gosto muito de Camille Paglia, mas me parece que se eu fosse virgem e a minha única idéia do que é uma vagina fosse a formada pela leitura de Sexual Personae, eu ia achar que uma vagina é um buraco viscoso de onde sai xaxim, magma, ovinhos de barbeiro, lesmas cobertas de muco e uma tênia dançante dentuça que ia morder o meu nariz, aos guinchos. E é verdade que algumas são assim – como mais Tycho Brahe perdeu o nariz? - mas há outras que são, contrariamente à visão-de-mundo de Paglia (ou à sua visão-de-boceta), lindas e civilizadas, mais perto de um jardim francês do que de uma selva.
E isso me faz pensar que esse é o problema dos gays: eles leram Camille Paglia e, achando que a vagina é uma fenda penugenta soltando bafios de sopa ctônica primordial, guardam distância dela. Quem não guardaria? Agora, escreva um livro todo comparando a vagina às topiárias de madressilvas francesas no jardim da Duquesa de Mouchy, ou mesmo a um tapete art decô da firma de Jules Leleu, e eles não desgrudam mais dela.




Boceta seria o outro melhor nome para vagina? A propósito, vagina não é um nome feio para um jardim tão bonito?
Já que o assunto é boceta, teria Paglia conhecido a de Daniela Mercury? http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,filosofa-americana-camille-paglia-rouba-a-cena-na-folia-baiana,327912,0.htm
Você, Alexandre, escrevendo visão-de-buceta?
O problema é que não existe nenhuma palavra muito boa, para uso em companhia polida, que designe aquilo que um autor que li uma vez chamava de “a quadra de tênis de Afrodite”. Ou eu não conheço. “Vagina” é feio e clínico; “boceta” é ok na cama, mas horroroso demais em público. E por aí vai.
Evito ao máximo usar palavrão, mas se acho que num determinado ponto fica bem, muito de vez em quando – esperemos que muito de vez em quando – então é palavrão que vou usar.
Ué, pior é o Updike, que se referia a “ela” como fenda.
As pessoas confundem vulva com vagina. Assim fica difícil.
E se não bastassem todas as dificuldades linguísticas, sociais e sexuais de nominar a xereca, ainda há a sutil questão fônico-gráfica de optar entre o correto boceta e o realista buceta
Anatomia e semântica, duas matérias cabeludas.
A boceta tá ótima! O resto do texto garantiu que a palavra soasse bem. Belo post aliás, melhor que os três últimos, mais trabalhado. Ei, na verdade não vim aqui pra isso, vim pra outra coisa. O formspring é sensacional, encaixou muito bem com nosso contexto (digo brasileiro, distante de boas influências e às vezes constrangido por elas). Eu nunca aprendi e roubei tanta coisa dos formsprings que nem tenho feito agora (soaressilva, FDR, ductilissimo [o melhor, ao meu ver], DGR, militrissa, etc.) Pede pra todo mundo legal que você conhece fazer um e posta aqui os links, obrigado!
“Fenda penugenta soltando bafios de sopa ctônica primordial”.
Sopa ctônica primordial. Bafios. Penugenta. Até as palavras separadas me fazem tremelicar de nojinho. Foi a coisa mais absurdamente “yuck” que eu já li em tempos. Ai, Alexandre.
…E uma tênia com dentes, DENTES! (obsessiva) E ovinhos de barbeiro! (morre)
Quando eu era virgem, achava que a boceta feminina estava localizada na parte frontal do abdomen, e não na parte de baixo, sabe? Seria mais fácil fazer sexo em pé.
Essa sua visão de boceta com sopa é mesmo difícil de suportar. O máximo que eu tolero é um pouquinho de ricota.
“xota” me parece ok.
Quando eu era criança achava que a palavra boceta se referia aos mamilos. O que me deixava confuso, porque folheando o livro O Exorcista havia uma cena em que uma mulher é erguida por vários homens durante um ritual satânico (acho que era isso), e “sua boceta se abriu e (x) introduziu dois dedos lá dentro”. Por causa disso durante anos achei que os mamilos se abriam nos momentos de excitação. True story.
Opa! Os monóculos da vagina!
O melhor nome que inventaram até hoje é “prochaska”, que surgiu meio que por acaso. Na década de 80, a Bandeirantes transmitia o Carnaval e o diretor pediu para o câmera “fechar na Prochaska”. Ele se referia à reporter, cujo sobrenome era Prochaska, mas o câmera se confundiu e deu close numa boceta…
Como mais Tycho Brahe perdeu o nariz?
Não sei, mas menos Tycho Brahe perdeu o dele ao assoá-lo.
How else did Tycho Brahe lose the nose?
“The” nose? Which nose?
“Ok, Nanuk, você importou essa geladeira. Mas não deveria também ter importado a rede elétrica, a assistência técnica e o cantinho na cozinha?”
Quem reclama não contribua.
Ai, credo.