Arquivo de janeiro de 2010

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Fuck Yeah Blog

O que é essa história, crítico mamalhudo, de um livro não prender o leitor, de uma piada não funcionar e assim por diante? Pergunto porque comecei a ler um livro de Joyce Carol Oates, e fui gostando, gostando, até que tive que pousar o livro no chão pra brincar com o meu cachorro. E quando ele se foi, reparei que não fazia questão de pegar o livro do chão e continuar gostando dele.

Agora, se eu fosse um crítico, não teria a tentação de escrever que “o livro não prende o leitor”,  “a atenção do leitor se dispersa fatalmente”, ou qualquer coisa assim? Teria. Mas que leitor? Ele não prende nenhum leitor? Como você pode saber, crítico de joelhos estaladiços? Não digo isso pra dizer que tudo é subjetivo, por quem me tomas? Mas se vamos ser objetivos, não podemos ser objetivos direito? Não podemos imaginar que alguns livros prendem a maior parte dos leitores, outros uma menor parte, outros talvez ninguém, e outros talvez só um véio que ia passando no bairro do Limão? E ainda que alguns prendem uma maioria de imbecis, outros uma minoria de doutos, e outros ambos ou uma combinação qualquer estranha de doutos e imbecis, unidos por qualquer coisa que tenham em comum e à qual o livro se dirige magnificamente? Alguns podem também desinteressar pessoas por motivos aleatórios, pela mesma espécie de princípio que faz com que alguém desgoste de pessoas chamadas Maurício, ou ache todas as Flávias “metidas a besta” (eu, por exemplo, não gosto de livros com matutos, ou que usem a expressão “X é pra lá de (adjetivo)”), e interessar todos os outros leitores; ou agradar por motivos aleatórios, também (eu tendo a gostar de qualquer livro com um assassino profissional no meio, ou que tenham uma piscina). Essas coisas todas não deviam ser estudadas, a quem exatamente o livro prende, a quem não prende? Ou então simplesmente esquece tudo isso e fala por si próprio – eu gostei, eu não gostei, eu li lembrando da minha prima Amelinha, ixi onde ela anda?

E me deixe encaixar aqui, estabalhoadamente, embora saiba que ele não tem nada a ver com o que eu estava falando, um pensamento que me ocorreu agora quando fui levar o meu carro na oficina, me deixando com um sorriso de autocongratulação que era visível a quarteirões: que um crítico, ao contrário de um general, só deve atacar quem ele não tem chance de destruir. Bom, hein? Citável, hein?

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

The Ice-Cream Years

Não tenho nada contra twitter, a princípio, exceto o que temos em relação a modas que já passaram um pouco, mas só um pouco de nada, do ápice na popularidade, nos fazendo sentir que se aderíssemos exatamente agora íamos parecer um tanto bobos – como alguém que tivesse visto com indiferença a passagem de um desfile militar, só correndo atrás da banda depois que um número suficientemente grande de pessoas já correu também. Agora não dá, tenho que esperar o twitter ser um pouco esquecido.

Mas queria que alguém me explicasse a razão de existência da coisa. Se você tem algo pra postar no twitter, porque não posta no blog? É por causa da baixa expectativa? Porque não tem nenhum comentador de blog no twitter pra dizer “E eu com isso?” depois de cada post? Porque é um terreno onde as pessoas se deixam um pouquinho mais em paz?

Mas formspring, aqui. Pergunta aí.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Bengalada do homem de bem

Naquilo que acho erradamente que se chamava de bleg na época dos blogs, pergunto: alguém sabe se há um professor de Jogo do Pau em São Paulo? E não havendo, talvez um de La Canne de Combat? Ou é pedir muito desta cidade furrecamente desprovida de gente se batendo de bengala?

E, mudando de assunto – se você ficar um tempo sem postar, será que podia não mencionar os seus “3,5 leitores”? Só pra ver o que acontece? Hein?

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Marca do canalha

As piores canalhices da história foram sempre precedidas da expressão “na boa” – as in “na boa, Rei Henrique VIII, mata o Thomas More aí. Não é por mal não, até me dói falar isso, amo o homem de paixão, me deu de mamar na infância inclusive, não durmo sem ele me fazer cafuné. Mas na boa, mata aí.”