Arquivo de julho de 2009

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Vontades súbitas

Estava numa livraria agora de tarde, e tirando um romance de William Trevor da estante li, na contracapa, que era “a sad and oddly moving tale of lost opportunities and misplaced hopes”.

Ok, tudo bem. Fiquei me perguntando se às vezes, parado em casa, depois do chá, digamos, sou tomado por uma vontade súbita de ler uma história triste e estranhamente comovente sobre oportunidades perdidas e esperanças destruídas. Depois de uma hesitação inicial, decidi que sim, às vezes – talvez numa tarde de chuva, uma vez a cada dois meses – mas que não chega nem perto do número de vezes que sou tomado por uma vontade súbita de ler histórias de zepelins, ou mesmo de orangotangos assassinos à solta em zepelins.

Agora mesmo eu queria muito ler uma história de orangotango num zepelim. Claro, talvez essa história seja triste. Talvez seja estranhamente comovente. Talvez o orangotango assassino tenha deixado passar muitas oportunidades na vida, de amor, de emprego, de glória quem sabe?, e além de ter depositado suas esperanças nas coisas erradas, talvez tenha tido todas as suas ilusões destruídas ainda por cima. Não sei. Mas o essencial é que tenha um orangotango assassino num zepelim, que preferencialmente em algum momento ele esteja lutando pela própria vida numa escadinha de corda que desce do próprio zepelim, contra chineses talvez, e que ele esteja furioso.

Nas costas da nota fiscal fiz uma tabelinha registrando minhas vontades súbitas de leitura em um mês típico, como julho.

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Na pressa esqueci de colocar as segundas-feiras, mas isso não é um problema se considerarmos que todas as segundas, lá de tardinha, sou tomado por um desejo difuso porém persistente de ler sobre uma assassina profissional tetuda, preferencialmente agindo no Caribe, e preferencialmente nos anos 60. Se tiver cena de pesca submarina, e ela de maiô branco entrando às escondidas no iate da vítima, que é um “gangster brutal”, melhor ainda.

O que eu nunca, nunca quero ler é “um retrato matizado da sociedade americana, com todos os seus fantasmas emergentes pela tragédia do Katrina”, ou “uma crônica do vazio existencial da burguesia, imersa de corpo e alma no modus operandi da sociedade de consumo”, e essas coisas assim de jornal. Isso aí nunca sinto vontade, não.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Daisy Lowe

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quarta-feira, 8 de julho de 2009

Mencius Moldbug

Uns meses atrás um amigo me perguntou qual o meu blog favorito, naquele momento pelo menos, e desconsiderando-se aqueles escritos por pessoas que eu conheço. Agora é o My Milk Toof, mas em janeiro, fevereiro, era o blog de Mencius Moldbug. Na verdade elogiei o blog assim: “Bom, tem uns posts muito, muito longos, cada post é quase um livro, nossa. E é sobre política.” Pude sentir o interesse das pessoas na sala se afastando de mim e do meu assunto como as bolinhas coloridas do Chain Rxn se afastando do meu clique quando só faltam duas bolinhas para eu bater o meu recorde – e perdão pela comparação, que talvez não faça sentido, mas tenho jogado tanto Chain Rxn que o jogo se tornou a minha metáfora favorita para qualquer coisa.

Mas o que eu quero dizer é que Mencius – pelo que eu entendi, um programador de computadores que vive em São Francisco – é o mais próximo de um pensador de gênio que a Internet já produziu. Sim, eu gosto de frases bombásticas como essa aí, mas o meu gosto por afirmações desse tipo não impede que eu acredite no que eu digo. Esta boa alma fez um resumo das teorias de Mencius, se você tiver preguiça de ler os arquivos do blog – e sim, Mencius tem teorias, não são só posts desconectados. E acho até que vou colocar aquele aviso de pussy que sempre me irrita em posts de outras pessoas que lincam pra cá, ou pro Olavo de Carvalho, “Não concordo com tudo o que ele diz, mas vale a pena ler”, blábláblá. Não porque tenha medo de que achem que concordo com ele – quer achar, acha, ué, eu sou reacionário mesmo – mas só porque por acaso só concordo com metade. Mesmo assim, leio até os comentários dele em blogs, sigo discussões longuíssimas sobre assuntos que nunca me interessaram antes – como esta aqui, que já citei no blog uma vez. E não acho que exista ninguém fora da Internet tão interessante quanto ele – certamente não o, qual é o nome. Slavoj Žižek. Pfui.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Buick Mckane will you be my girl?

Tem texto meu lá na última página da Vip que está nas bancas. Aquela da mulher espremendo as bazoongas.

Fora isso informo ao mundo que comprei uma biografia de Erich von Stroheim, e que hesito antes de comprar 12 volumes de Sainte-Beuve.

E, como essa música não me sai da cabeça, fique com Buick Mckane. Aparentemente só agora estou descobrindo 1972.