Eu sei que “não se deve colocar mulher num pedestal”, por favor, né, considerando-se os defeitos delas, que não sabem somar nem dividir, que não entendem que exceções não invalidam regras, que votam mal, que não gostam de ficção científica, e que mesmo as mais bonitas têm lá os seus dias de pele gordurosa, espinha, bafo. Eu sei, mas qual é a graça de ter uma mulher bonita, ou até só de chegar perto de uma mulher bonita, se não for para colocá-la no pedestal muito de vez em quando? Se não for para sentir de vez em quando um pouco do sentimento de veneração? Você acha mesmo que não existe nada de sagrado numa mulher muito bonita? (Isso tudo admitindo que os homens mais espetacularmente fracassados com mulheres que já vi na vida são os que não conseguem desligar o botão de veneração nunca, entrando num looping de rapapés asqueroso e infinito, melífluo e abichornado. Mas mesmo assim.)
Só sei que, se a minha mão esquerda entrasse uns segundos por debaixo da saia de Scarlett Johansson, eu, que também acho que “não se deve colocar mulher num pedestal”, consideraria para sempre a minha mão sagrada. Ou qual a palavra – numinosa? Olharia para a minha mão com pasmo – como se fosse a mão de Arthur que tocou em Excalibur, ou a de Jacó que lutou com o anjo. Mostraria a minha mão para os netos como se lhes mostrasse a cruz do Calvário. “Ó, sente o cheiro, nunca mais lavei”. “Ai vô, pára”. Exigiria que as pessoas abrissem caminho para mim no correio, no supermercado: “Saiam da frente que eu pus a mão entre as pernas da Scarlett Johansson”. E acharia perfeitamente natural, de fato esperaria isso o tempo todo, que uma pessoa que estivesse conversando comigo durante uns minutos, vendo a minha mão esquerda casualmente repousada e semifechada em cima da mesa, de repente se lembrasse onde aquela mão tinha estado, e sentisse um arrepio e perdesse o fio dos pensamentos, e não conseguisse conversar mais nada, e não tirasse mais os olhos da minha mão de velhinho.




Sugestão de leitura: In Defense of Women, de H. L. Mencken–este capítulo, especialmente. Um abraço, Alexandre.
Que engraçadinho, seu texto. Você até me fez sorrir
você é maluco
)
Acho, no mínimo, digno.
Esse é um apócrifo de Alexandre Soares Silva.
“Eu adorava minha primeira mulher. Só pensava em pô-la SOB um pedestal.”
Quem disse isso?
Algumas frases de um filme que vi recentemente enquanto dormia (sic), acho que baseado em alguma coisa do Oscar Wilde. Só sei que tinha a Scarlett Johansson e a Helen Hunt:
1. Enquanto S.O. se arrumava no quarto, os homens que a esperava no andar de baixo comentavam: “Mulheres e salsichas: se querem desfrutá-las com prazer, não procure saber como se preparam”. No take seguinte, close nos pelinhos da perna da S.O. vestindo a meia-calça.
2. Dois homens, durante conversa sobre casamento: “sabe por que aquilo se chama altar? Porque altar é local de sacrifício”.
Pretendo ver esse filme novamente, dessa vez acordado.
Onde eu escrevi S.O., por favor,leiam S.J.! Ainda estou dormindo?
Ei, o filme é esse: http://www.imdb.com/title/tt0379306/
(Alexandre: meu TOC quase monkiano não me permite ler uma revista ou livro fora da ordem natural das páginas, o que me tem causado algum sofrimento, pois ainda estou na página 99 da Dicta & Contradicta, 75 páginas de distância do planeta Rinceau. Não que o restante da revista não seja bom. É que o peso está mal distribuído: filosofia e política no início e literatura no final. Melhor seria uma interpolação, ainda que você corresse o risco de ficar entre o cajado do Olavo de Carvalho e a bengala do Ruy Goaiba)
A palavra exata para a mão que deslizasse por baixo da saia da Scarlett (eu escolheria a direita) seria iluminada. Um facho de luz caindo dos céus a acompanharia, quando ela se erguesse pra pegar uma caixa de cereais na prateleira do supermercado, por exemplo.
Preciso ver esse filme. Tem uma cena do Vicky Cristina Barcelona em que dá pra ver as celulitezinhas da SJ. Sagradas celulites.
Alexandre,
Pelo visto devemos sentir muito respeito pela mão desse rapaz aqui, ó:
http://www.youtube.com/watch?v=QgnTSTWDOM8
Se vc sacralizasse a própria mão por esse motivo, mulher nenhuma iria querer vc e portanto vc não teria netos – a menos q tivesse filhos com a própria SJ.
“Algumas frases de um filme que vi recentemente enquanto dormia (sic)”.
Tô morrendo de curiosidade pra saber dos outros usos que o Roger Prado faz do “sic”, principalmente quando não há gente por perto.
Quem disse que não se deve colocar mulher em um pedestal???? Eu super discordo totalmente! Nossa função é justamente ficar lá no pedestal, apontando as exceções às regras e zombando dos que somam e dividem e votam bem.
Tu é o cara! Assino embaixo.
Endosso a dúvida do sr. Menezes.
Perdi o encanto pela SJ ao ver Vicky Cristina Barcelona. Tentei chamá-lo de volta assistindo Encontros e Desencontros, mas ele não veio. Com o Nicole Kidman é diferente; mesmo depois de assistir As Horas, basta chamar o encanto assistindo De Olhos Bem Fechados que ele volta rapidinho.
O “sic” é o “hic” do pinguço metido a intelectual.
Oi Alexandre
Sou irma gemea de Carolina, amiga do Ruy Goiaba e que tinha um blog ’saudadedopunhal.blogspot.com’. Enfim…. ela morreu ha trinta dias atras e estou arquivando todos os textos do blog dela. Ela te conhecia superficialmente, mas costumava ler seu blog frequentemente.
Encontrei um text dela no blog em que ela cita vc. E bem engracado. Gostaria de te mandar esse texto. Vc pode me passar teu email para eu encaminha-lo a vc, por favor. Meu email eh marivaz99@gmail.com.
obrigada e um abraco.
Mariana
ps> desculpe, estou no pc do meu pai e nao consigo achar as teclas de acentua~cao.
Até que sou mulher e hétero, venero a Scarlet desde Lost in translation.
Tenho uma queda pela Jennifer Anniston. Venero mesmo ….
“Respect the cock; tame the cunt”
Vá lá que foi a mão esquerda; se fosse a mão direita, ficaria mirradinha de tanto uso
Eu acho a Scarlett um bocadinho… anémica, para não dizer mais. Metendo a mão e fechando os olhos, a coisa ainda vai. Mas mulheres como a Kim Basinger, que já não existem mais, basta olhar. Estão lembrados do lobo do Tex Avery? Com a Scarlett, os seus olhos ficariam no sítio. Mas vocês é que sabem.
Esse post me devolveu a alegria de viver. Havia acabado de citar Ec 1,9, aborrecido com o tédio da internet. Nem o Blog do Emir Sader, que costuma me irritar profundamente, conseguiu me reanimar. Mas, pela graça do Senhor, um amigo me indicou seu blog, e cá estou eu, com a alma restaurada.
Te devo uma breja.
Esse post me devolveu a alegria de viver. Havia acabado de citar Ec 1,9, aborrecido com o tédio da internet. Nem o Blog do Emir Sader, que costuma me irritar profundamente, conseguiu me reanimar. Mas, pela graça do Senhor, um amigo me indicou seu blog, e cá estou eu, com a alma restaurada.
Te devo uma breja.
Sim, concordo. Mas é possível também venerar mulhers lindas que não são de Hollywood. Putz, como eu queria que ao menos um dos meus exes venerasse a mão que me tocou.