22 de December, 2008

Fazia tempo que eu queria dizer isto



maniqueismo.jpg


Postado por Alexandre S. 12:33 AM | Comments (21)

15 de December, 2008

Jane Austen pra macho

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Pensando em todas as pessoas (não só homens) que têm vergonha de comprar livros de Jane Austen por causa das capas muito menininhas, criei essa capa mais macha para "Emma". Ela mostra o momento em que Mr Knightley foi no picnic com Emma Woodehouse e se sujou todo de geléia.

Postado por Alexandre S. 04:57 PM | Comments (11)

30 de November, 2008

Das Unheimliche, ou algo assim

Confesso que sempre sinto uma espécie de espanto - não, uma espécie de horror, um horror metafísico - quando encontro uma pessoa com uma opinião diferente da minha, por mais trivial que seja o assunto. Não gosta de chocolate? De Nero Wolfe? Do mar, de Woody Allen, do Império Britânico circa 1882? O sangue me foge da cabeça, correndo sabe Deus para onde, para os mamilos, os joelhos, que seja; minha boca se abre, meu perispírito se contrai, minha aura vai bater na lâmpada; não compreendo que possa existir tal abantesma, e meu primeiro impulso é livrar o mundo de criatura tão invertida, tão rabina, tão contrária aos princípios mais básicos da natureza que provavelmente enxerga na escuridão, fica cega à luz do dia, sente calor no vácuo do espaço, traz os órgãos internos pendurados na pele e não vê graça em paçoca. Sou muito bom em fingir que não estou em choque, e me orgulho muito do meu sorriso civilizado quando, na verdade, estou me segurando para não fazer xixi nas calças devido ao horror de ter sido apresentado a uma senhora que não gosta de cinema, ou a um garoto que adora Clarice Lispector. Ora, é como ser apresentado a um xaxim gigante que fala! Com óculos! Com um chapeuzinho e um cachimbinho! Quem dentre vocês apertaria a mão de xaxim do xaxim humano e ouviria suas opiniões de xaxim com uma aparência de urbanidade? Eu o faço todos os dias, trêmulo por dentro mas suave e polido por fora; e aqui confesso também que essa é a minha reação diante de muitas pessoas que comentam no meu blog, porque elas muitas vezes manifestam explicitamente o nojo do que é sagrado, como Deus e Chesterton ou um post meu qualquer - repito, qualquer post meu -, ou a qualquer um dos itens que considero manifestamente bons, como P.G.Wodehouse, cães, John Wayne, mousse de chocolate, musicais da MGM, pezinhos femininos e assim por diante; e apreço pelo que é horrendo, embora sobre isso seja melhor calar. Não compreendo, não compreendo que existam pessoas diferentes de mim, e se escrevo é para diminuir esse abismo medonho - em vão tentando fazer com que as pessoas fiquem cada vez mais parecidas comigo, post por post, mês por mês, old boy por old boy. Não acontece, eu sei, ou acontece num ritmo muito lento; mas mesmo assim prometo a mim mesmo que manterei o blog até que chegue o dia em que eu possa ler a minha caixa de comentários - e o mundo, e o mundo! - sem sobressalto ou asco; nem apagarei meu blog, nem minha espada dormirá na minha mão, até a completa alexandrinização da humanidade.

Postado por Alexandre S. 11:28 PM | Comments (34)

19 de November, 2008

Quantum of Solace

Até gostei, embora tenha o vilão com o plano mais chato da história da vilania. Porque pelo que entendi, o plano dele é ABRIR UMA EMPRESA PRA VENDER ÁGUA MINERAL, ok? Algo assim como a Águas de Lindóia. Na Bolívia. O que faz com que tudo seja sinistro. E quando ele luta com Bond no clímax do filme, ele parece o Pedro Cardoso histérico tentando acertar com um cano na cabeça do Selton Mello ou algo assim. Alguém realmente viu essa cena e se perguntou "Ih, e agora, James Bond?", roendo as unhas? E quem pode não adorar frases espertinhas como "o dólar já não vale a mesma coisa. O custo da guerra!", a dupla de agentes da C.I.A. em que um tem a palavra "Republicano" e o outro "Democrata" tatuada na cara, e outras delicadezas de Paul Haggis? Mas a verdade é que apesar de tudo isso me diverti, principalmente por causa de Daniel Craig mesmo, e o sotaquinho de Olga Kurylenko.

Postado por Alexandre S. 01:01 AM | Comments (14)

17 de November, 2008

Ok, não resisti

hgwells.jpg
... e fiz mais uma capa da Penguin Classics.
(Foto tirada daqui.)

Postado por Alexandre S. 08:53 PM | Comments (4)

11 de November, 2008

Parvo, romancista russo

Tenho tentado vencer minha inclinação a desprezar todo mundo que vejo pela frente, passando na minha cara franzida, antes de sair de casa, um unguento místico e invisível de puro amor universal. É difícil. Hoje, por exemplo, fui no shopping Morumbi comprar um presente para a minha mãe, e assim que me vi no corredor principal do shopping, voluntariamente desespremi o rosto e disse para mim mesmo: "Alexandre, old boy, ama todo mundo! Você não é melhor que ninguém! Bom, em algumas coisas, talvez. Mas ama!". E fiquei olhando à minha volta e tentando amar todo mundo.

Tenho um truquinho que desenvolvi, e que aplico normalmente quando estou na janela do meu quarto olhando as gentes feias que entram e saem do pronto-socorro do outro lado da avenida, e meu desprezo por elas se torna tão desagradável para mim mesmo que é uma espécie de refluxo gástrico com um gostinho de suco de pilha, e tento recorrer ao amor como quem recorre a um digestivo para ficar com um gosto melhorzinho na boca do espírito; e meu truque é, mas isso só funciona para aqueles de nós que acreditamos em reencarnação, imaginar que aquela fumante gordota lá embaixo correndo para pegar o ônibus com suas sacolas desglamurosas foi, ou vai ser, minha ama-de-leite ou cozinheira na casa de campo em que vivi dois séculos atrás, ou em que viverei outra infância dois séculos para a frente. E como vou amar aquela mulher - como ela vai me contar histórias - e fazer bolo de cenoura - e quindim! Aquela mulher vai ser a minha Tia Nastácia! Ou, se é um homem pobrão correndo com seu guardachuvinha dobrado, imagino que vai ser o motorista que minha família vai ter na minha futura infância, que vai me ensinar a manobrar o carro ou o que quer que sirva de carro em 2208, e que se eu prometer não contar pra ninguém vai me mostrar fotos de assassinatos e de gente deformada, uma foto da namorada dele pelada num lago, e baralhos pornográficos. Jogaremos pôquer na garagem e lutaremos boxe de brincadeira, com ele no máximo despenteando meus cabelos, novamente quase azuis de tão pretos.

E durante uns segundos consigo amar a fumante gordota com suas sacolas e o homem pobrão com seu guardachuva. Vão com Deus! Que estranho que eu tenha que esperar séculos pra ver vocês de novo! Meu Deus! Fiquem bem!

Então tentei pensar nisso quando estava no shopping Morumbi, mas logo me distraí vendo a foto de Churchill numa loja de terno. Não tive pensamentos complexos, só pensei "Ah, Churchill era legalzinho"; mas nesse momento uma mulher horrendamente feia e toda vestida de branco, andando muito devagar no mesmo sentido que eu, veio distraída para a direita, impedindo a minha passagem, e eu esqueci que amava todo mundo e fiz TTSSC bem alto e pensei, Sai da frente, sua monstra, odiando de verdade a minha futura Tia Nastácia, que naquele momento eu teria sido capaz de derrubar com um golpe de karatê na lateral do pescoço.

Mas pensei: "Pára com isso. E daí que ela é feia? E daí que ela parece o Pixinginha usando bolsa? E daí que ela está toda de branco apesar de provavelmente não ser enfermeira, a julgar pelas roupas caras e maquiagem de dondoca? E daí que ela anda distraída chupando sorvete e me impedindo de andar direito? Essas não são todas características que fazem com que ela seja ainda mais amada pelas pessoas que a amam? Distração, feiúra, más roupas e gulodice?" Claro, são, ou espero que sejam; e se não forem, mais motivo para ser amada, porque os outros que deviam não a amam, e sobrou tudo para mim, um estranho no shopping.

Procurei imaginar aquela mulher fazendo comida numa cozinha futura cheia de cheiros de doce. Algum dia o próprio sotaque dessa mulher, seja qual for o sotaque dela, vai me lembrar a infância. O próprio rosto... - mas nesse ponto como já a havia ultrapassado e estava olhando para ela mais tempo do que devia, de repente ela sorriu pra mim meio desconcertada com sua carinha de Boris Karloff lambuzado de sorvete, e eu me derreti um pouquinho e sorri de volta.

Devo dizer que esse pequeno momento de afabilidade fez com que eu me sentisse bastante leve enquanto andava pelo corredor do shopping? Caramba!, eu pensava enquanto entrava na livraria, ainda com o meu chacra do coração pulsando como a vagina de um fã de Obama. Como eu sou bom! Pouca gente percebe isso!, e sorrindo embasbacado de mim mesmo pensei em escrever depois sobre isso, pras pessoas ficarem sabendo. Que bom rapaz! Me derreti à toa! As pessoas passam por aquela mulher e ninguém presta a menor atenção nela! Eu não!, e tal.

Claro, se as pessoas pudessem ver um filme acelerado da minha vida que só durasse cinco minutos, um minuto inteiro seria passado comigo de pé no centro do meu quarto, logo depois de ter lido algo no computador ou visto algo na tevê, agarrando meus próprios cabelos e dizendo em voz alta "Jesus! Eu odeio todo mundo!". Se fizessem uma estátua de mim assim, seria justo; mas hoje de tarde eu estava pretty satisfied with myself por causa do sorriso trocado com a mulher feia.

Quanto tempo isso durou na livraria? Alguns segundos? Quantas capas da Martim Claret? Quantos títulos? "Oh, Superdicas para Falar Bem - deve ser uma espécie de Cícero para retardados", eu pensei, e logo me censurei e repeti pra mim mesmo que ia amar todo mundo, que ia obedecer a minha mãe e parar de chamar as pessoas de retardadas. Mesmo mentalmente. Mas logo percebi que não podia chegar na parte de livros que me interessava porque um casal de Gente da Firma (era meio-dia de uma terça) estava vendo um livro chamado O Tarô das Plantas bem em cima dos livros que eu queria ver. "Vou esperar esses retardados saírem e depois volto", pensei, sem me dar nenhuma conta de que os havia chamado de retardados três segundos depois de prometer que não ia chamar mais ninguém de retardado.

Alguns minutos depois, um sujeito perto de mim pegou uma biografia de Hitler e mostrou para uma mulher, que disse, "Que tem", e ele disse, "Vou comprar pra você", e ela disse "Por quêeee??!?" assim mesmo com esses ??!?, e ele disse "Porque você é nazista gosta do Maluf", e eu recuei alguns passos, meu chacra do coração já fechado e murchinho como a pata de um macaquinho morrendo de desgosto, e pensei, "Acabo de presenciar o wit das classes baixas".

Estava tocando uma versão de "One", do U2, cantada pelo que imaginei ser uma garota brasileira bonitinha com excesso de sensibilidade, que prolongava cada nota como se cada uma delas tivesse toda uma gama de emoções, todas elas espantosamente repulsivas. É difícil amar as pessoas que cantam mal mas fazem sucesso; uma maneira, um truque (só consigo amar pessoas aleatórias se criar truques), é imaginar que é uma irmã minha, alguém que canta mal mas tem sonhos absurdos de sucesso como cantora, coitada, e nem percebe o quanto canta mal, o quanto é motivo de piada para os outros e o quanto ela não tem nenhuma chance. E fica lá cantando no quarto dela. E de vez em quando faz um show pra mim e tal, com coreografia, um horror. Mas se esse for o caso, você se esforça e acaba gostando de alguma coisa no jeito que ela canta, não é? Do mesmo jeito com que se pode amar as meninas feias:

... On days when all the streets
Of College Town led to the game, she’d sit
On the library steps, and read or knit;
Mostly alone she’d be, or with that nice
Frail roommate, now a nun...

(O toque preciso e patético do "swollen feet" na linha 354 me comove.) E a mesma coisa quanto aos autores de livros retardados, os que escrevem livros com títulos como "Pára Tudo Que Eu Quero Descer!", ou "Sempre Letícia: Memórias de Uma Empresária Brasileira de Sucesso". Como não amar essas pessoas tão completamente inconscientes da própria vulnerabilidade em relação ao desdém alheio, inclusive o meu?

E se fosse o seu pai? E se fosse o seu pai todo orgulhoso por ter escrito um livro com o título de "João Honorato, Apenas um Brasileiro"? Talvez seja possível amar essas pessoas exatamente porque elas são tão retardadas.

Postado por Alexandre S. 05:09 PM | Comments (41)

7 de November, 2008

Madame Blavatsky's Nipple Slip on Flickr

Não entendo essas pessoas cuja principal diversão na vida é provar que o universo é menos interessante do que os outros dizem.

Me refiro a todos esses mágicos que gostam de desmascarar médiuns – aparentemente tirar lenços coloridos do nariz dá vontade de dizer que não existe vida depois da morte – mas não só: todo esse vasto grupo de chatonildos que vai desde os ateus profissionais até os que saem por aí sendo pagos para ridicularizar fotos de OVNIs em programas de entrevista.

-Porque o Universo já é interessante o suficiente sem essas coisas, Alexandre - dirá você, com a sua característica voz anasalada.

Talvez, mas mesmo assim repito a primeira frase deste texto. “Não entendo essas pessoas cuja principal diversão na vida é provar que o universo é menos interessante do que os outros dizem.” Talvez o Universo seja interessante mesmo sem fantasmas ou OVNIs, se você é o tipo de pessoa que acha, sei lá, mitocôndrias interessantes, mas certamente um Universo que tem fantasmas e alienígenas é mais interessante que um que não tem. E essas pessoas portanto querem provar que o Universo é menos interessante do que os outros dizem. Podemos concordar com isso e seguir em frente?

-A busca pela Verdade, Alexandre, os impele – dirá você, usando também outras expressões nobres e ladidás como “o amor à Verdade”, “o respeito à Verdade”, etc.

Eu aceitaria isso se essas pessoas não fizessem o que fazem aos saltinhos juvenis e com sorrisos daqui até aqui; obviamente elas estão se divertindo fazendo isso. De onde vem essa diversão? De um mero senso de superioridade por não acreditar em tolices? Será que o prazer que vem desse senso de superioridade pode valer a dor de viver num Universo sem alienígenas, poltergeists, sacis, possessões demoníacas, monstros marinhos e chupacabras? Só para uma criatura tão pobre mentalmente que não consegue imaginar o prazer de viver num Universo que tem essas coisas.

Digo, suponha que houvesse uma lenda urbana sobre um pato gigante que vive no topo dos edifícios. Ele salta de edifício em edifício e de vez em quando esbarra num helicóptero e tal. Se eu tivesse certeza que o pato gigante não existe, eu não sairia por aí dando palestra ridicularizando o pato gigante. Dificilmente eu me tornaria num negador profissional do pato gigante, nem faria disso um hobby. Nunca mostraria fotos evidentemente falsificadas do pato gigante para ficar rindo delas de gravata borboleta como acabei de ver um cientista fazendo com fotos de OVNI no programa do Larry King.

Não, se eu tivesse certeza que o pato gigante não existe eu ficaria para sempre desejando que ele existisse. Eu ficaria olhando para o topo dos edifícios com uma nostalgia enorme do pato gigante, temperada com um quase nadica de ironia. Eu não ignoraria pesquisas científicas que provassem a não-existência do pato gigante – estou mentindo, ignoraria sim – mas jamais conseguiria entender a alegria do cientista provando essa não-existência num programa de tevê.

Uai, quer provar, prova. Mas sem alegria, né? Qual a alegria de provar que entre o Universo 1, que tem mitocôndrias, monocotiledôneas, diplococos e números primos (essas coisas todas que os materialistas dizem achar incrivelmente fascinantes), e o Universo 2, que continua tendo essas coisas, mas que além disso tem sacis, for Christ's sake - qual a alegria, pergunto eu, de provar que, contra as esperanças de todo mundo decente, vivemos no Universo 1 e não no 2?

Prova, se quiser - mas prova chorando.

Quanto a mim, eu acredito em tudo. Sou crédulo mesmo, vixe. E digo com autoridade que o prazer de se sentir mais realista do que os outros é seco e pífio perto do prazer de viver num Universo cheio de lobisomens, leprechauns, fantasmas, sacis, saskwatches, telepatas, médiuns, alienígenas, iogues levitantes, sábios imortais rosacrucianos, estátuas choronas e patos gigantes.

Postado por Alexandre S. 02:36 AM | Comments (38)

5 de November, 2008

Ei, conservadores


(via The Corner.)

Postado por Alexandre S. 03:59 PM | Comments (3)

3 de November, 2008

Superman, de Gus Van Sant (2004)

Muitos riram quando Gus Van Sant disse que ia dirigir sua própria versão de Superman, mas o diretor calou a boca de todos com a atuação que conseguiu arrancar de Philip Seymour Hoffman no papel principal. Poucos se esquecerão da cena em que Hoffman (Superhomem), num quarto de hotel vagabundo, telefona para Lois Lane (Jennifer Connely) e começa a chorar e se masturbar ao mesmo tempo.

Superman: Oh, God, Oh, God, Oh, God…
Lane: Who is this? Clark?
Superman: Uh, no… It's nobody... It's Superman… I'm sorry… Oh, God. (desliga)

Ou da cena em que Lex Luthor (Dennis Farina) e seu capanga Otis (Steve Buscemi) abrem um armário de vassouras em seu esconderijo subterrâneo e descobrem o Superhomem se masturbando lá dentro.

Luthor: What the fuck...?
Otis: Jeez.
Luthor: What the fuck is that?
Superman: I'm sorry.
Otis: He's jerking off.
Luthor: No shit. I know he's jerking off, Mr.Brainiac. I can fucking see he's jerking off.
Superman: Please, it was a tough day… I'm sorry, I'm on my way out…
Luthor: Not so soon you're not. You stay right there, pervert. I'm going to call the police.
Superman: Please, sir? Sir? It's not necessary to call the police…
Otis: And tell him to clean everything up. Jeez.


Buscem4.jpg

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Postado por Alexandre S. 09:24 PM | Comments (11)

2 de November, 2008

David Foster Wallace sobre John McCain

"Here's what happened. In October of '67 McCain was himself still a Young Voter and was flying his 26th Vietnam combat mission and his A-4 Skyhawk plane got shot down over Hanoi, and he had to eject, which basically means setting off an explosive charge that blows your seat out of the plane, which ejection broke both McCain's arms and one leg and gave him a concussion and he started falling out of the skies over Hanoi. Try to imagine for a second how much this would hurt and how scared you'd be, three limbs broken and falling toward the enemy capital you just tried to bomb. His chute opened late and he landed hard in a little lake in a park right in the middle of downtown Hanoi. (There is still an N.V. statue of McCain by this lake today, showing him on his knees with his hands up and eyes scared and on the pediment the inscription "McCan -- famous air pirate" [sic].) Imagine treading water with broken arms and trying to pull the lifevest's toggle with your teeth as a crowd of North Vietnamese men swim out toward you (there's film of this, somebody had a home-movie camera and the N.V. government released it, though it's grainy and McCain's face is hard to see). The crowd pulled him out and then just about killed him. U.S. bomber pilots were especially hated, for obvious reasons. McCain got bayoneted in the groin; a soldier broke his shoulder apart with a rifle butt. Plus by this time his right knee was bent 90º to the side with the bone sticking out. This is all public record. Try to imagine it. He finally got tossed on a Jeep and taken only like five blocks to the infamous Hoa Lo prison -- a.k.a. the Hanoi Hilton, of much movie fame -- where they made him beg a week for a doctor and finally set a couple of the fractures without anesthetic and let two other fractures and the groin wound (imagine: groin wound) stay like they were. Then they threw him in a cell. Try for a moment to feel this. The media profiles all talk about how McCain still can't lift his arms over his head to comb his hair, which is true. But try to imagine it at the time, yourself in his place, because it's important. Think about how diametrically opposed to your own self-interest getting knifed in the balls and having fractures set without a general would be, and then about getting thrown in a cell to just lie there and hurt, which is what happened. He was mostly delirious with pain for weeks, and his weight dropped to 100, and the other POWs were sure he would die; and then, after he'd hung on like like that for several months and his bones had mostly knitted and he could sort of stand up, they brought him to the prison commandant's office and closed the door and out of nowhere offered to let him go. They said he could just... leave. It turned out that U.S. Admiral John S. McCain II had just been made head of all naval forces in the Pacific, meaning also Vietnam, and the North Vietnamese wanted the PR coup of mercifully releasing his son, the baby-killer. And John S. McCain III, 100 lbs and barely able to stand, refused the offer. The U.S. military's Code of Conduct for Prisoners of War apparently said that POWs had to be released in the order they were captured, and there were others who'd been in Hoa Lo a way longer time, and McCain refused to violate the Code. The prison commandant, not pleased, right there in the office had guards break McCain's ribs, rebreak his arm, knock his teeth out. McCain still refused to leave without the other POWs. Forget how many movies stuff like this happens in and try to imagine it as real. Refusing release. He spent four more years in Hoa Lo like this, much of the time in solitary, in the dark, in a special closet-sized box called a "punishment cell.""

(via Mother, May I Sleep With Treacher?)

Postado por Alexandre S. 10:01 PM | Comments (6)