5 de fevereiro de 2010

Mitzi Gaynor <3

* Este vídeo em seis partes de Roger Scruton falando sobre beleza e arte talvez lhe interesse. Aliás, o blog é do sujeito que costumava manter o 2Blowhards, Michael Blowhard. (Eu até gosto do sujeito que escreve lá agora, mas não é a mesma coisa.)

* Este é um dos meus blogs favoritos ultimamente. E este é o blog favorito dela. Não o meu, nem de longe – mas eu gosto desta resposta, pelo menos.

* Por falar em respostas, meu formspring está quase com mil delas. Neste momento tenho 376 perguntas pra responder, algumas de três semanas atrás. Eventualmente respondo todas – ou pelo menos todas que não envolvam o histórico do meu wiwimacher ou que não me chamem de Xandoco, Xandão, etc.

* O formspring do DGR.

* Tentei postar este vídeo aqui faz pouco, mas aparentemente não está embedando. Mesmo assim: salud, buona fortuna! (Primeira vez que vejo rimarem gorgonzola com pepsi-cola.)

* Não sei o motivo de nunca ter prestado atenção em Mitzi Gaynor antes – até umas horas atrás ela era pra mim só um nome engraçado que o Mel Brooks diz de vez em quando pra fazer as pessoas rirem. Ela era maravilhosa. Aqui, ela com Frank Sinatra, Bing Crosby e Dean Martin. Aqui, ela cantando e dançando It’s De-lovely com Donald O’Connor (começa a ver a partir dos 4:00. Assim é que se trata mulher, põe ela num vestido cor de rosa e dança Cole Porter com ela. E só eu gosto muito de cenários evidentemente falsos? Não um gostar irônico, mas um gostar mesmo? Queria que navios do mundo real parecessem cenários bem falsos de musicais, e as ruas também.) Aqui, o trecho que me interessa vai de 2:34 a 4:03. (Ver essa mulher se sacudindo ridícula e sexymente no palco me fez sorrir bastante.) E aqui, o melhor e mais sexy número de todos.

* “The judgement of God will be in that moment where he decides whether to accept us or not. The terror for a moment will be horrifying since the potential loss will be everything. The damned will be those whom falling in love with God upon seeing him will be rejected. Their grief will be eternal. The terror of beauty is in its possible rejection of us.”

* O que fazer no caso de ser enterrado vivo . (Só não entendo o motivo de ter que bater com o cinto fazendo SOS em código morse. Não basta que estão vindo umas batidas de dentro do caixão?) E como seria se Wes Anderson fizesse o filme do Homem Aranha (obrigado à Ieda).

* O Livro Vermelho de Jung. (Está uns R$500 na Cultura.)

* Um exemplo de crítica negativa de filme que é divertida de ler mesmo se você nunca ouviu falar do filme.

* Desenhos de vídeos famosos do YouTube.

* How to Report the News (obrigado ao David).

* Julie Newmar num papel meio de Ulla, só de toalha, perturbando a concentração de James Mason.

* The Rape Tunnel.

* Li esta história num livro de contos surrealistas e fiquei muito interessado em Leonora Carrington. É curta. Lê, vai por mim.

* Um manual do século XIX  de autodefesa com bicicleta. (A entrevista só faz menção a ele, mas queria saber mais a respeito.)

* Cool Guys Don’t Look at Explosions.

* Melhor e mais maluca versão de Pirate Jenny que já ouvi.

* Estou muito pouco de direita, direitão mesmo, então toma.

* Eu só tiraria os dois últimos parágrafos. Estava bom até aí, não precisava. (Você vê que, ao contrário dos jornais, meu senso de prioridades está certo: primeiro cultura, diversão e whatnot, e só depois política.)

* Mencius Moldbug sobre Mises e Carlyle.

* Eu queria quase todas as roupas do old gent.

* Textos de jornal de mentira, um The Onion mais curto e mais absurdo, de François Cavanna, em português.

* Este sujeito aqui se veste como um cavalheiro vitoriano.

* Melhor e mais hipnótica cena do cinema de todos os tempos.

* E terminamos com essa olhadinha de Anna Karina.

28 de janeiro de 2010

Fuck Yeah Blog

O que é essa história, crítico mamalhudo, de um livro não prender o leitor, de uma piada não funcionar e assim por diante? Pergunto porque comecei a ler um livro de Joyce Carol Oates, e fui gostando, gostando, até que tive que pousar o livro no chão pra brincar com o meu cachorro. E quando ele se foi, reparei que não fazia questão de pegar o livro do chão e continuar gostando dele.

Agora, se eu fosse um crítico, não teria a tentação de escrever que “o livro não prende o leitor”,  “a atenção do leitor se dispersa fatalmente”, ou qualquer coisa assim? Teria. Mas que leitor? Ele não prende nenhum leitor? Como você pode saber, crítico de joelhos estaladiços? Não digo isso pra dizer que tudo é subjetivo, por quem me tomas? Mas se vamos ser objetivos, não podemos ser objetivos direito? Não podemos imaginar que alguns livros prendem a maior parte dos leitores, outros uma menor parte, outros talvez ninguém, e outros talvez só um véio que ia passando no bairro do Limão? E ainda que alguns prendem uma maioria de imbecis, outros uma minoria de doutos, e outros ambos ou uma combinação qualquer estranha de doutos e imbecis, unidos por qualquer coisa que tenham em comum e à qual o livro se dirige magnificamente? Alguns podem também desinteressar pessoas por motivos aleatórios, pela mesma espécie de princípio que faz com que alguém desgoste de pessoas chamadas Maurício, ou ache todas as Flávias “metidas a besta” (eu, por exemplo, não gosto de livros com matutos, ou que usem a expressão “X é pra lá de (adjetivo)”), e interessar todos os outros leitores; ou agradar por motivos aleatórios, também (eu tendo a gostar de qualquer livro com um assassino profissional no meio, ou que tenham uma piscina). Essas coisas todas não deviam ser estudadas, a quem exatamente o livro prende, a quem não prende? Ou então simplesmente esquece tudo isso e fala por si próprio – eu gostei, eu não gostei, eu li lembrando da minha prima Amelinha, ixi onde ela anda?

E me deixe encaixar aqui, estabalhoadamente, embora saiba que ele não tem nada a ver com o que eu estava falando, um pensamento que me ocorreu agora quando fui levar o meu carro na oficina, me deixando com um sorriso de autocongratulação que era visível a quarteirões: que um crítico, ao contrário de um general, só deve atacar quem ele não tem chance de destruir. Bom, hein? Citável, hein?

6 de janeiro de 2010

The Ice-Cream Years

Não tenho nada contra twitter, a princípio, exceto o que temos em relação a modas que já passaram um pouco, mas só um pouco de nada, do ápice na popularidade, nos fazendo sentir que se aderíssemos exatamente agora íamos parecer um tanto bobos – como alguém que tivesse visto com indiferença a passagem de um desfile militar, só correndo atrás da banda depois que um número suficientemente grande de pessoas já correu também. Agora não dá, tenho que esperar o twitter ser um pouco esquecido.

Mas queria que alguém me explicasse a razão de existência da coisa. Se você tem algo pra postar no twitter, porque não posta no blog? É por causa da baixa expectativa? Porque não tem nenhum comentador de blog no twitter pra dizer “E eu com isso?” depois de cada post? Porque é um terreno onde as pessoas se deixam um pouquinho mais em paz?

Mas formspring, aqui. Pergunta aí.

4 de janeiro de 2010

Bengalada do homem de bem

Naquilo que acho erradamente que se chamava de bleg na época dos blogs, pergunto: alguém sabe se há um professor de Jogo do Pau em São Paulo? E não havendo, talvez um de La Canne de Combat? Ou é pedir muito desta cidade furrecamente desprovida de gente se batendo de bengala?

E, mudando de assunto – se você ficar um tempo sem postar, será que podia não mencionar os seus “3,5 leitores”? Só pra ver o que acontece? Hein?

1 de janeiro de 2010

Marca do canalha

As piores canalhices da história foram sempre precedidas da expressão “na boa” – as in “na boa, Rei Henrique VIII, mata o Thomas More aí. Não é por mal não, até me dói falar isso, amo o homem de paixão, me deu de mamar na infância inclusive, não durmo sem ele me fazer cafuné. Mas na boa, mata aí.”

22 de novembro de 2009

Já que ninguém fala bem de fanático

Nunca vi uma defesa calma e não-fanática do fanatismo, então aqui vai uma: se você pudesse escolher ter o grau de certeza de um fanático, em relação a todas as coisas, escolheria um grau menor de certeza? E se pudesse escolher ter o grau de paixão de um fanático, em relação a todas as coisas, escolheria uma paixão mais desmilinguida? Não, você seria um fanático – um fanático sobre todas as coisas, da galletita de limão ao bicameralismo. Todos nós no fundo queremos ser fanáticos. A única coisa que um fanático precisa para ser o ideal de ser humano é de autocontrole para evitar berrar e cuspir o tempo todo.
(Por causa disto.)

31 de outubro de 2009

Depois de ver um filme dramaticão

Não consigo deixar de achar que, embora seja verdade que o sofrimento é frequente neste mundo, o cinismo é ainda mais frequente que o sofrimento, causando uma espécie de hipocrisia em que as pessoas não escondem dos outros os próprios defeitos, mas as próprias felicidades. Assim a maior parte dos livros sobre pessoas que perderam a família toda em acidentes de carro são escritos por pessoas que ainda têm as famílias todas intactas, e os filmes sobre casamentos horrendos são na maioria feitos por pessoas maravilhosamente bem-casadas, ridiculamente bem-casadas, se formos saber a verdade; ou por solteiros, ou por garotos de oito anos: todos eles apontando um dedo acusatório manchado de nutella contra Deus, suas bocas cheias de balas-de-goma dizendo que a vida é assim, cara.

30 de outubro de 2009

Minha opinião sobre vocês aí

Acabei de ver Slap Shot, e fiquei pensando em como a minha vida teria sido melhor se eu vivesse num país não-maricas e tivesse podido, como sempre quis, praticar um dos Três Esportes Coletivos Não-Maricas, rugby ou hockey ou futebol americano. Tenho sempre a nostalgia dessa vida de jock não-vivida. Instintivamente acho que teria me saído bem, vivido uns momentos de glória, ganhado umas cicatrizes. Mas não, né: tinha que nascer num país afeminado, que se sobressai em esportes que se baseiam em (putz) habilidade.

22 de setembro de 2009

Fiddlesticks!

Sempre assumi, sem ter consciência talvez, que o ideal de comportamento humano é o de uma personagem de Jane Austen, e que o que quer que se afaste disso é maligno. (Me refiro mais a etiqueta que a ética.) Emma Woodehouse, por exemplo, pode ter muitos defeitos, mas ela não gritaria “Caralho!” ao bater com o dedão numa pedra (sei lá o que ela diria – Poppycock?), de modo que quando você diz, acho feio. Ela também não deixaria comentários em blogs respondendo gostosamente a enquetes sobre a sua vida íntima. E por aí vai. Eu, por outro lado, tento não fazer nada que seja impossível imaginar Mr Knightley fazendo. Na verdade até me doeu ter escrito a palavra “caralho” aí em cima, mesmo com um propósito didático – não imagino Mr Knightley sequer escrevendo “C – o!”, é claro. Mas depois de ver a sociedade se entregando a todo tipo de comportamento que não seria aceito nos círculos dos Woodehouse-Westons, senti que tinha que fazer alguma coisa. “Ah, que superficial”, você dirá, “quer dizer que tudo bem então ser arrogante e se meter na vida dos outros que nem a Emma Woodehouse, desde que você não fique mencionando o órgão masculino entumescido em companhia mista e nas situações sociais mais diversas?” Mas sim, exatamente. Acho a ética supervalorizada. Ela é importante, mas ela devia, se me perguntam, andar sempre um passinho atrás da etiqueta, respeitosa, acanhada, moreninha, carregando o equipamento de aquarela da etiqueta enquanto as duas passeiam pelo campo, apressando o passo porque parece que vai chover.
Termino dizendo que seja qual for a ideologia que promova comportamentos que não seriam aceitos nos círculos dos Woodehouses e dos Westons, ou que frontalmente ataque os comportamentos que eram aceitos nessas duas casas, é de origem demoníaca; e como vim meter aqui o diabo contra Mr Knightley, ou pior ainda o diabo contra Henry Woodehouse, o pai bobinho da Emma, nem eu sei – mas basta dizer que estou falando sério, e que a certa altura da história humana o diabo declarou guerra contra Jane Austen e começou a recrutar vários pascácios célebres – Antonin Artaud, Freud, Pasolini, e Vincent Gallo, para destruir tudo aquilo. Nada é mais sintomático da tolice da nossa época do que a invariabilidade com que a palavra “subversivo” é usada como elogio; mas eu sei que quando se fala que algo é subversivo, aquilo que se está tentando subverter é os padrões de comportamento do pai bobinho da Emma Woodehouse, com sua gentileza, sua má digestão, seu medo legalzinho de chuva. Essas coisas eu quero defender até o fim. Seria bom preservar essas coisas, e viver decentemente, ser limpo, e de vez em quando dançar a Bath Assembly, a Trip to Tunbridge ou a Valsa do Duque de Kent. Amém.

16 de agosto de 2009

Pighooey

O conto que escrevi pra Dicta & Contradicta está aqui. Um exemplo sórdido de kitchen-sink drama. Um mergulho na alma dos garotos que ficam cheirando cola na perigosa (segundo a série “Alice” da HBO) rua Avanhandava. Um soco naturalista na sua alma de burguesão com man boobs.
E não esquece de ler a VIP porque tem um texto meu na última página. A VIP de agosto. Aquela com a garota tragicamente chamada Rayanne.